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Pesquisa Eleitoral16/09/2026

Governador eleito no 1º turno pode aumentar a abstenção no 2º? O que campanhas presidenciais precisam observar nos estados

Governador eleito no 1º turno pode aumentar a abstenção no 2º? O que campanhas presidenciais precisam observar nos estados

Quando a eleição para governador termina no primeiro turno, a campanha presidencial pode chegar ao segundo turno com um desafio adicional naquele estado: manter a mobilização do eleitor sem uma disputa estadual funcionando como incentivo político e estrutura de campanha local.

Isso não significa que a ausência de segundo turno para governador provoque automaticamente maior abstenção. A participação eleitoral depende de diferentes fatores, e a própria eleição presidencial pode produzir mobilização suficiente para levar o eleitor novamente às urnas.

Para estrategistas, porém, há uma questão relevante: em alguns estados, o segundo turno poderá deixar de ter duas disputas simultâneas — presidente e governador — para depender exclusivamente da eleição presidencial.

E essa mudança altera não apenas o interesse do eleitor, mas também a estrutura política disponível para mobilizá-lo.

Por que uma eleição para governador definida no 1º turno pode mudar a mobilização no 2º?

Em um estado com segundo turno para governador, duas campanhas continuam funcionando simultaneamente. Candidatos, partidos, prefeitos, deputados, lideranças regionais, militância e estruturas locais permanecem mobilizados porque ainda existe um resultado estadual em disputa.

Quando o governador é definido no primeiro turno, parte desse incentivo desaparece.

Isso pode afetar diferentes dimensões da campanha: presença nas ruas, produção de eventos, atuação de lideranças municipais, comunicação regional e capacidade de mobilizar eleitores para comparecer novamente às urnas.

Para a campanha presidencial, portanto, o resultado da eleição estadual não deve ser observado apenas pela pergunta tradicional — “quem venceu e quem esse grupo apoia?” —, mas também por outra:

qual estrutura política continuará efetivamente mobilizada no segundo turno?

A diferença é importante. Declarar apoio a um candidato presidencial e colocar uma estrutura estadual para trabalhar ativamente por ele são fenômenos distintos.

Por isso, estados nos quais a eleição para governador terminar no primeiro turno merecem ser analisados separadamente no planejamento do segundo.

Menor mobilização estadual significa necessariamente maior abstenção?

Não necessariamente.

Os resultados das eleições anteriores mostram por que é preciso cuidado ao transformar essa hipótese em regra geral. Em 2018, a abstenção nacional passou de 20,33% no primeiro turno para 21,30% no segundo, quando a Presidência e os governos de 13 estados e do Distrito Federal estavam em disputa.

Já em 2022 ocorreu o movimento contrário no agregado nacional: a abstenção caiu de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo. Naquele ano, além da Presidência, 12 estados tiveram segundo turno para governador.

Os números nacionais, portanto, não permitem concluir isoladamente que ter ou não uma eleição estadual em andamento determine o comparecimento.

Para uma campanha presidencial, a análise mais útil precisa descer ao nível estadual e, quando necessário, regional e municipal.

Um estado pode apresentar uma disputa presidencial altamente competitiva e mobilizada mesmo sem eleição para governador. Em outro, a combinação entre resultado estadual já definido, menor presença das estruturas partidárias e baixo envolvimento do eleitor com a disputa nacional pode criar um ambiente mais favorável à desmobilização.

É justamente por isso que pesquisas realizadas entre os dois turnos precisam medir mais do que intenção de voto.

O que as pesquisas precisam medir nos estados entre o 1º e o 2º turno?

Se o objetivo é estimar o impacto da mobilização sobre a eleição presidencial, perguntar apenas “em quem você pretende votar?” pode produzir uma fotografia incompleta.

Uma campanha precisa saber também quão provável é que esse eleitor efetivamente compareça.

Isso exige observar indicadores como intenção declarada de comparecimento, grau de certeza dessa decisão, interesse pela eleição, consolidação do voto presidencial e características dos grupos que apresentam maior risco de não votar.

O cruzamento dessas informações com região, idade, escolaridade, renda e comportamento eleitoral no primeiro turno pode revelar se a possível desmobilização está distribuída pelo eleitorado ou concentrada justamente em segmentos mais favoráveis a um dos candidatos.

Essa distinção pode mudar substancialmente a interpretação.

Imagine um estado em que dois candidatos presidenciais estejam próximos na intenção de voto. Se os eleitores de um deles apresentarem maior propensão a comparecer, a igualdade observada na preferência declarada não representa necessariamente igualdade em potencial de votos efetivamente depositados na urna.

Há ainda uma questão metodológica importante: abstenção não deve ser simplesmente “descontada” da pesquisa com base em uma única pergunta. Declarar que pretende votar e efetivamente comparecer são comportamentos diferentes. O mais adequado é tratar indicadores de mobilização como informações adicionais para compreender cenários e identificar grupos que exigem acompanhamento.

E, se houver sinais de mudança entre os turnos, uma nova rodada de pesquisa pode ser necessária. Em **Quando vale a pena fazer uma nova pesquisa eleitoral? Critérios técnicos para decidir o momento certo**, mostramos por que mudanças relevantes no ambiente político podem justificar uma nova medição.

Como campanhas presidenciais devem ler os estados sem disputa para governador?

Depois do primeiro turno, a campanha presidencial passa a precisar de um mapa diferente daquele baseado apenas na votação obtida por estado.

Além de identificar onde cada candidato foi melhor ou pior, é necessário observar onde existe maior potencial de ganhar votos, perder comparecimento ou mobilizar eleitores que já demonstram preferência, mas ainda não estão suficientemente engajados para voltar às urnas.

Nesse contexto, estados sem segundo turno para governador podem formar um grupo analítico específico.

A pesquisa pode ajudar a responder perguntas como: a intenção de comparecimento mudou depois do primeiro turno? Em quais segmentos? Os eleitores de um candidato estão mais mobilizados que os do adversário? O resultado estadual produziu transferência de apoio? As lideranças políticas locais ainda influenciam a decisão presidencial?

Essas respostas precisam ser interpretadas considerando a qualidade da amostra. Se a hipótese envolve diferenças entre regiões ou perfis específicos de eleitores, é especialmente importante verificar se esses grupos estão adequadamente representados. Em **O impacto da amostragem na confiabilidade dos resultados de uma pesquisa**, explicamos por que a composição da amostra interfere diretamente no tipo de conclusão que pode ser extraída.

Em uma eleição presidencial apertada, a disputa entre os turnos não acontece apenas pela conquista de novos eleitores. Ela também envolve garantir que quem pretende votar em determinado candidato efetivamente compareça às urnas.

Por isso, quando as urnas fecharem no primeiro turno, estrategistas presidenciais terão dois mapas para analisar: o de quem venceu cada território e o de quais territórios ainda terão uma disputa local capaz de manter máquinas políticas e eleitores mobilizados até o segundo turno.

Leia também

**O impacto da amostragem na confiabilidade dos resultados de uma pesquisa** Entenda como a composição da amostra interfere na capacidade de uma pesquisa representar corretamente diferentes regiões e segmentos do eleitorado.

**Quando vale a pena fazer uma nova pesquisa eleitoral? Critérios técnicos para decidir o momento certo** Veja quais mudanças no cenário político justificam uma nova medição e quando uma pesquisa adicional realmente pode produzir informação estratégica.

**Como saber se uma mudança na pesquisa eleitoral exige uma mudança de estratégia na campanha** Saiba como diferenciar oscilações que merecem acompanhamento de mudanças consistentes que podem exigir revisão da estratégia eleitoral.

Autor: ColecttaAtualizada há 2 semanas
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